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09 maio 2007

Médicos dizem que TV estimula obesidade infantil

Os profissionais de marketing e as empresas de produtos infantis precisam acompanhar as discussões que existem e que culpam o marketing infantil por uma série de males causados às crianças, destacando-se entre eles a obesidade infantil.

Acredito que as empresas devem sempre buscar o benefício a longo prazo para seus clientes. Esse é o único marketing que sobreviverá. Assim, elas devem oferecer opções saudáveis e conscientizar o seu público sobre os problemas que podem ser causados pelo consumo em excesso de seus produtos e conscientizar também sobre hábitos saudáveis que devem manter.

Culpar a televisão pela obesidade é o mesmo que culpar os games ou a internet. O verdadeiro responsável é o estilo sedentário de vida do público. Da mesma forma, culpar fabricantes de bolacha pela obesidade é quase o mesmo que culpar a água pelos afogamentos que provoca. O problema é o excesso. Não acredito que teremos um mundo onde só existam saladas, frutas e legumes para nos alimentarmos; em que os refrigerantes, balas e snacks simplesmente deixem de existir. O que os fabricantes não devem fazer é estimular o consumo em excesso desses produtos ou em substituição a alimentos saudáveis.

O que estranho nessas discussões é que a escola e os pais nunca aparecem como parcialmente responsáveis. As empresas foram escolhidas como vilãs e, junto com elas, seu marketing. Atitudes e hábitos responsáveis e saudáveis são aprendidos em vários lugares: em casa, na escola, com amigos e na mídia. Pois que todos assumam seus papéis. Por que achar que só a mídia é responsável?

Lembro ainda que marketing é muito mais que propaganda. Envolve também o desenvolvimento dos produtos, a estratégia de preços e a política de distribuição. E o início de tudo é ouvir o cliente, buscando atendê-lo, desde que ele se beneficie no longo prazo (para fidelizá-lo). Muitas empresas acabam enfrentando a reação a práticas erradas que mantém, por serem voltadas apenas a objetivos de curto prazo. Se elas forem mais estratégicas e olharem também para o longo prazo, acabarão tendo menos barreiras em sua atuação.

Estou aberto à discussão do assunto e acho que não está havendo diálogo entre os envolvidos. Espero que mais discussões ocorram e outros pontos-de-vista sejam ouvidos.

- Arnaldo.

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O Instituto de Medicina da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos divulgou um alerta enfático, afirmando que os programas infantis de TV e seus personagens estão contribuindo para uma epidemia de obesidade sem precedentes entre as crianças americanas.

Junto com um relatório, o instituto divulgou recomendações expressas para que as autoridades iniciem campanhas de orientação sobre alimentação saudável. Fundos para financiar estas campanhas devem ser criados, segundo o documento, com recursos das indústrias de doces e salgadinhos que vêm causando a explosão de obesidade infantil no país.

No relatório os especialistas afirmam que é preciso acabar com produtos como os cereais altamente açucarados que ficam nas prateleiras em embalagens de Shrek e outros personagens infantis. Eles recomendam que os personagens sejam usados para incentivar o consumo de alimentos saudáveis.

Evidências suficientes
Ellen Wartella, da Universidade da Califórnia, que integrou o grupo de estudos, disse ao New York Times que não há mais como negar a responsabilidade da mídia, principalmente a TV, sobre as preferências alimentares das crianças até 12 anos. "Há evidências suficientes para tomarmos uma atitude", afirmou.

"A indústria não gasta US$ 10 bilhões anuais em publicidade para crianças porque gosta de jogar dinheiro fora. Os anúncios deles funcionam, e funcionam brilhantemente", disse o senador democrata Tom Harkin, de Iowa, um dos parlamentares que apoiaram a realização do estudo.

O comitê de especialistas também se baseou em vários outros estudos sobre a relação entre comerciais de TV e a crescente obesidade infantil nos Estados Unidos. Mas as recomendações se estendem também ao marketing embutido em games, sites e todas as formas de publicação que atinjam as crianças e adolescentes.

Diabete e hipertensão
A obesidade virou epidemia nos Estados Unidos. Ao longo de 2004, a porcentagem de pessoas obesas cresceu de 23,7% para 24,5% da população, com aumento em 48 dos 50 Estados americanos. De 1987 a 2002 as despesas com obesos aumentaram de US$ 3,6 bilhões por ano (2% das despesas médicas particulares) para US$ 36,5 bilhões (11,6%).

Entre as crianças, o problema vem crescendo há 20 anos e os desdobramentos são dramáticos. Médicos já tratam de casos diagnosticados como "diabesidade". Crianças e adolescentes começaram a ser vítimas de diabete tipo II, além de apresentar outras complicações, como hipertensão arterial e colesterol elevado. O relatório pode ser adquirido através do site da Academia de Ciências dos Estados Unidos.

Fonte: Agência Estado

2 comentários:

Anônimo disse...

Sou estudante do 5º periodo de publicidade, e estou realizando um projeto de pesquisa sobre a publicidade infantil. Seu site é muito interessante! Me ajudará muito! Quando puder, visite minha pagina.

Até

Arnaldo Rabelo disse...

Faltou você dar o link para a sua página...