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22 julho 2015

Não queremos acabar com a publicidade infantil - diz o Instituto Alana

Mais de um ano após a regulamentação do Conselho Nacional dos Direitos da Infância e da Adolescência (Conanda) reforçar a proibição da comunicação destinada a crianças menores de 12 anos, a publicidade infantil ainda rende debates acalorados. De um lado, marcas e profissionais de Marketing que querem abrir um diálogo com esses pequenos consumidores e, do outro, entidades e parte da sociedade civil que defendem os direitos das crianças e acreditam que este tipo de mensagem deva ser redirecionado aos pais.

O documento normativo considera abusiva a intenção de persuasão dos pequenos por meio da representação de crianças, mesmo que pelo uso de personagens, trilhas sonoras de músicas infantis, efeitos especiais e excesso de cores, desenhos animados, entre outros. A decisão pautada em artigos da Constituição Federal e do Código de Defesa do Consumidor, até o momento, não gerou mudanças nas estratégias de Marketing das empresas. Com ações cada vez mais incisivas, as marcas encantam as crianças em 360 graus, fazendo com que elas tenham contato com o produto em todos os ambientes por onde circulam, sejam eles físicos ou virtuais. A atividade é intensamente criticada pelo Instituto Alana, que espera que o mercado se posicione e trace táticas alternativas para continuar vendendo.

Há quase 10 anos, a entidade tem discutido questões importantes a respeito do papel da publicidade infantil como corresponsável por problemas a longo prazo e outros que já fazem parte da realidade, como a obesidade infantil, por exemplo. “Se não fosse importante para o mercado anunciar produto não saudável para a criança, eles não o fariam. Por que que existe toda essa discussão do lado do mercado sobre o impacto econômico? Sabe-se que 80% dos processos decisórios de compras da família estão nas mãos das crianças, mas não deveriam estar”, comenta a psicóloga Laís Fontenelle, uma das gestoras do Instituto Alana.

Mudanças na publicidade infantil
“O que observamos de maior mudança, nos últimos três a cinco anos, é que a publicidade começou a conversar com a criança no modelo 360 graus. Antes, existia muito mais a propaganda no formato televisivo e, hoje, ela passou a migrar para outros espaços, como a internet. Esta é, inclusive, uma publicidade que se confunde com entretenimento dentro das próprias escolas. Hoje, a publicidade que fala com a criança não é mais aquela que está no meio da programação infantil da televisão. Ela está nas gôndolas dos supermercados, dentro das escolas e promovendo eventos supostamente de entretenimento nos espaços públicos. Então, atinge a criança em todos os espaços em que ela transita.

A maior mudança que observamos foi uma migração de mídia, mas não que tenha diminuído ou alterado o tom. Apesar de todas as discussões que temos nos dias de hoje em torno da publicidade infantil e da regulação da comunicação focada na criança, ainda não conseguimos notar uma mudança radical, uma transformação que possa ser chamada de mudança de paradigma. O mercado ainda está se readaptando a tudo o que a sociedade civil tem discutido”.

Veja a matéria completa aqui.

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